domingo, 21 de julho de 2013

UMA REFLEXÃO COM OS IDOSOS

Apesar da idade podemos dar continuidade à nossa evolução. Esta continuidade nos leva à paz e a um confortável estado de saúde, felicidade e ao gozo da liberdade.

Nossa bagagem é grande, mas podemos aliviar seu peso procurando entender a lógica das coisas que aconteceram com cada um de nós ao longo de nossas vidas. Podemos nos libertar dos remorsos, das culpas, dos medos e dos apegos, quase sempre oriundos da natural inexperiência da pouca idade e dos preconceitos que trazem incompreensões.

Nossas crises e lutas podem ter acumulado em nós fontes de energias de alto poder construtivo para o prosseguir geral da vida em todo seu sentido. Se nossa constituição física nos impõe limitações para certas ações, nossa mente está plena de energias extra físicas de valores consistentes, que podem ser impulsionadas por uma intuição altamente desenvolvida.

Como em nossa cultura valoriza-se quase que absolutamente a força e os aspectos dos jovens, forma-se um grande desperdício no desprezo pela experiência acumulada dos mais velhos. O certo é a unidade potente formada pela competência atualizante do jovem, aliada a experiência enriquecedora dos idosos. Como rever tudo isso e nos colocarmos à disposição deste processo de plenitude evolutiva? Nossa situação é bastante delicada diante da família, da sociedade, dos costumes e principalmente de nós mesmos.Precisamos rever todo esse processo, retomar nosso lugar na dinâmica geral da vida e da infinitude universal.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

OBSERVAÇÃO OPORTUNA

Passaremos de agora em diante a colocar neste nosso  blog alguns assuntos culturais em geral, além daqueles relativos à psicologia. Por isso sugiro a vocês, queridos acompanhantes, que me enviem assuntos de seus interesses, para que venham eles enriquecer essas nossas páginas.

O título de hoje seria então: O ABOIO DO VAQUEIRO NORDESTINO.

Para iniciar esta nova fase estou colocando detalhes sobre a origem do Aboio, este melodioso canto entoado pelos nossos vaqueiros nas lides com o gado, tanto na rotina das fazendas, como nas caminhadas para as feiras ou outros destinos das boiadas.

De onde surgiu tão melodioso entoar, hoje tão rarefeito em função do gado está sendo conduzido em caminhões e os vastos silêncios perturbados pelo ronco das motos?.

Lendo referências de respeitáveis estudiosos  sobre o assunto, junto as nossas vivências pessoais pelos sertões do nordeste, fomos gradativamente configurando as origens históricas destes cantos sertanejos do gado.

 As primeiras unidades de gado bovino trazidas ao Brasil, e particularmente ao nordeste, onde foram instaladas as primeiras fazendas de criação, aqui chegaram com nosso primeiro governador geral, Tomé de Souza, oriundas das ilhas africanas do oceano Atlântico de colonização portuguesa. Lá, cuidavam do gado escravos africanos de religiosidade muçulmana. Esses vaqueiros escravos costumavam em suas lides com o gado entoar loas e sons lamentosos dos seus cultos religiosos. Estas entonações de origem árabe ficam claras em seus detalhes históricos no livro "Tradições Populares da Pecuária Nordestina"- Rio de Janeiro - Ministério da Agricultura 1956, do conceituado estudioso do assunto o norte- rio- grandense Luis da  Câmara Cascudo.

Para melhores detalhes, seguem alguns trechos ilustrativos do referido livro. Antes porém, lembro-me muito bem que o meu professor de música, matéria obrigatória no meu tempo de escolar, prof. Miguel  Barkokebas, por sinal de origem árabe, destacava os fortes traços orientais dessas entonações dos vaqueiros naqueles idos tão em voga.

"Canto sem palavras (aboio) marcado exclusivamente em vogais, entoado pelos vaqueiros quando conduzem o gado.(...). José de Alencar evocava-o: - "O aboiar dos nossos vaqueiros, ária tocante e maviosa com que eles ao por do sol tangem o gado para o curral, são os nossos RANZ sertanejos... Quem tirasse por solfa esses improvisos musicais, soltos à brisa vespertina, ouvera composto o mais sublime dos hinos à saudade (...) Carlos M. Santos, estudando o folclore musical da Ilha da Madeira, fixa o canto entoado quando levam os bois ao trilho da eira. Esta canção tem bastante acentuado o estilo oriental principalmente na neuma, e extraordinária semelhança com a mourisca donde parece ter saído".

"E o nosso aboio? Creio ser a mais legítima presença de canto oriental no Brasil. (...) O aboio é uma jubilatione, tôsca, bravia, primitiva. Trouxeram-no os portuguêses, não apenas como as toadilhas de aboiar no Minho ou as "boiadas" madeirenses, mas juntamente com os gritos de excitamento em uníssono, dados pelos tangedores. Creio que o aboio brasileiro é atualmente mais puro, mais legítimo, mais primitivo e próximo às fontes orientais que outra qualquer forma de vocalização utilizada em profissào rural, cantos de arada, cantos de sega, etc, vivos na Europa."

Passo agora a fazer esta minha intuitiva reflexão psicossocial: No aboio dos vaqueiros escravos trazidos para o Brasil junto com o gado, vieram com eles seus cantos muçulmanos. Aqui o índio remanescente da Guerra dos Bárbaros, tranformado em vaqueiro, aprendeu a cantar para o gado o lamento muçulmano,   fazendo assim neste cruzamento de ondulações profundas o enraizamento do sagrado como um culto divino inconsciente, muito pertinente à sua contribuição no forjamento da cultura nacional.

Observação atualizante: O aboio nordestino segue um sentido ondulatório infinitamente qüântico e "bootstraper" em sua seqüência livre e profunda da mística oriental.

 NOTAS:
 RANZ: termo inglês ligado a "ranch"- fazenda de gado; RANZ seria no caso homens do rancho, rancheiro.
  Dicionário inglês/portugues - portugues/inglês - Ministério da Educação e Cultura - 1964.

 Solfa: música escrita, música vocal; a parte musical do verso cantado; vem daí o termo Solfejo.
 Novo Dicionário Aurélio da Lingua  Portuguesa - Edt. Nova Fronteira - 1986.

  Neuma: cada um dos sinais da antiga notação musical medieval, que não indicavam nem a altura exata dos sons, nem sua duração, mas apenas o movimento linear da melodia, isto é, onde a voz deveria elevar-se ou abaixar-se.
 Novo dicionário Aurélio da Lingüa Portuguesa - edt. Nova Fronteira 1986.






quarta-feira, 24 de abril de 2013

ALGO MAIS SOBRE O SENTIDO DE DEUS E SUA RELAÇÃO COM AS PESSOAS

Chamamos de Deus a essa força em infinitude, que proporciona e preserva a ordem evolutiva universal da qual fazemos parte. Uma energia que se manifesta como potencialidade para nossa vida, diante das nossas vicissitudes e alegrias, superando-as em plenitude. A medida em que crescemos na consciência e na utilização desta força, alimentamos nossa dimensão divina, percebendo e vivenciando nossa permanência na eternitude da evolução universal.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA E PLENITUDE VITAL

A expansão da consciência é processo que nos leva a percepções de fatos bem além dos limites das nossas percepções sensoriais. Estes nossos recursos de alcanse estra-físicos podem  no  levar à  infinitude atemporal, nos proporcionando percepções intuitivas, afetivas e espirituais. Nesta perspectiva, aspectos assustadores passam a ser sentidos como fatos de efeitos bem menores.

Em termos psicoterapeuticos a expansão da consciência constitui-se em fator de alto sentido para remoção de aspectos que interferem negativamente na plenitude de nossa vida.

Com o passar do tempo, a medida em que nossas potencialidades físicas vão diminuindo, nossas percepções estra-físicas proporcionalmente vão se ampliando. Neste processo nossas reações egoicas vão se desativando, dando lugar a percepções mais lúcidas que atenuam nossos temores e ansiedades.

A Psicoterapia Holística pode nos levar à revivência de fatos anteriores que sendo conscientizados e removidos proporcionam a nossa plena evolução. Tudo isso tem a ver com relações dinâmicas entre as percepções mentais e as ondas cerebrais.

A expansão da consciência integrada à dinâmica das ondas cerebrais, proporciona a  soltura das emoções reprimidas, restabelecenso o equilíbrio e a plenitude de nossa vida em sua unidade física e extra-física.

domingo, 16 de dezembro de 2012

UM CASO ILUSTRATIVO DE CURA DE GAGUEIRA (TARTAMUDEZ OU DISFEMIA)



UM CASO ILUSTRATIVO DE CURA DE GAGUEIRA ( TARTAMUDEZ OU DISFEMIA)
DNV procurou-me para livrar-se de uma gagueira que o expunha a profundo constrangimento, principalmente por se tratar de um adolescente de 15 anos. Falava comigo bastante tenso e de cabeça baixa. Revelou com dificuldade que durante a infância, como também agora no início da adolescência sofria longo processo de repressão por parte da mãe. Esta o proibia rigorosamente de conviver com as outras crianças da sua idade  Concluímos juntos e com facilidade que sua gagueira e seu consequente  sentimento de inferioridade vinha deste prolongado processo de repressão. Revelou-me que ficava horas atrás das grades da janela de sua casa vendo as crianças de sua idade jogando futebol livremente na rua. Morava num bairro pobre. A mãe não queria ele misturado com aqueles meninos vadios.

Hoje com 15 anos e mais de 1,80m de altura, encontra-se estático e isolado diante dos colegas, e o pior gaguejando ao tentar falar. No final desta longa conversação reveladora, levei-o a uma expansão da mente visando solturas de emoções reprimidas. Este processo aconteceu de uma forma vasta e forte. Voltou aqueles momentos atrás das grades da janela sentindo a presença da mãe como uma força impedidora.
Após o retorno ao estado natural, ainda gaguejando porém descontraído, estava aéreo procurando entender o ambiente em que se encontrava, com a cabeça doendo e tonto. Confirmadas nossas previsões, orientei-o para que procurasse caminhar pela praia e se possível correr um pouco, a fim de facilitar atitudes descontraídas. Neste nosso primeiro encontro falou muito em seu grande desejo de ser aviador.

No segundo atendimento, 15 dias após o primeiro, DNV apresentou-se bem diferente. Estava descontraído e bem energizado, postura altiva e olhar firme. Demonstrava uma segurança pessoal que em nada lembrava sua apresentação anterior. Destacou as mudanças que amigos e familiares estavam percebendo nele. Falava descontraído e gaguejando menos. Começou a apresentar uma necessidade forte de me solicitar orientações. Entrava em detalhes numa ânsia incontida de superar-se. Tinha seguido meus conselhos de ir à praia e levar sol.

Nos seguintes e últimos três atendimentos levei-o a expansões mentais que revelaram liberações de traumas que complementaram aspectos ligados à plenitude do seu falar e do seu viver. Concluí que sua gagueira e sentimentos de inferioridade tinham a ver também com esses traumas de vidas anteriores.

No sexto e último atendimento estava em clima de plena autonomia pessoal sem nenhum sinal de gagueira. Nestas regressões à vidas passadas reviveu desastre de aviação e casos de traição pela esposa.
Sua frase para uma efetiva evolução foi: “Sei com quem eu falo, como falo e o que vou falar, sempre calmo e com cautela”. Disse que iria pregar essa frase no móvel do seu quarto. Com ares de um adulto livre e forte, me comunicou que está fazendo parte de um time de rúgbi cujos componentes têm acima de 20 anos. Vejo neste último fato, toda uma retomada magistral daqueles tempos de criança em que reprimia toda uma ânsia de jogar bola com os garotos de sua idade.



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TARTAMUDEZ, GAGUEZ OU GAGUEIRA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES



Em nossa prática clínica, temos observado que a disfemia (gagueira) tem seu modo de instalação em duas formas bem distintas.
Para  eliminação desta desagradável limitação, faz-se extremamente necessário o cliente tomar consciência da origem deste seu comportamento. Esta origem pode estar situada num fato isolado com alto poder repressivo, ou por um mecanismo que vai sendo estruturado em consequência de um processo defensivo diante de um conjunto de pressões de várias ordens. Neste caso a pessoa vai passando a lutar contra pressões internas que reprimem sua voz.
No caso de um fator isolado de desencadeamento, o tratamento é bem mais rápido. Ao contrário, quando a instalação do mal tiver sido por um processo paulatino de restrições à sua expansão natural, a reversão do vai se dando por gradativa inversão dos impedimentos constrangedores pelo qual passou o portador desta dificuldade.
É bem mais comum a instalação da gagueira ocorrer no período da infância.
Uma sequência de expansões da mente levando a percepções bastante esclarecedoras, é de salutar importância para a superação deste mal.    
A criança ou adolescente, junto com uma salutar compreensão familiar, retoma todo um ritmo de compensações energéticas para sua plenitude evolutiva.  

domingo, 14 de outubro de 2012

ENCAMINHAMENTOS EM DIREÇÃO À TRANSPESSOALIDADE

Como o sentido do termo sugere, a transpessoalidade sinaliza para uma movimentação em que os limites nos quais circulamos no nosso cotidiano vão sendo gradativamente ampliados. Numa dinâmica de transpessoalidade, vamos passo a passo sentindo e assim percebendo melhor o mundo ao nosso redor e não apenas o mundo físico percebido pelos nossos cinco sentidos, que levam ao cérebro as emoções alertadoras e orientadoras do nosso modo mais adequado de agir. Nestas ampliações de nossa sensibilidade, participam sutilezas e canais energéticos não físicos que atuam por ondas de infinitas vibrações perceptivas.

Como seres componentes do processo evolutivo universal, vamos nos imbuindo de um viver univérsito como numa amplitude intuitiva de estarmos nos sentindo em rede única de movimentação infinita. Na física moderna, este acontecer caracteriza o sentido quântico da movimentação energética que estabelece o conceito de universo.

Ao viver a harmonia pessoal interior sendo ela física e espiritual num todo único, estaremos propiciando nossa plenitude. Desta forma, todas as circunstâncias em que vivemos vão se tornando familiares sem os costumeiros atritos, ansiedades e tensões.